sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Todas as horas

 

 

O ponteiro anda sobre o tempo, a caminhar pelos intervalos , como pés em folhas secas:  o ruído é inevitável. A cada passo, continuo  ou descompasso, em estrada que não levam a lugar nenhum. Percorrendo círculos , não há começo ou fim.  E no acabar das horas, têm-se vida como mora, em cada ato ou desatino: Um só destino. Em cada anseio. Fim, principio e meio; e o insistir da inexatidão na ordem de todas as coisas, que um dia terão apenas existido, sem um lugar na memória, guardadas no vazio.  

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Coronel João Sá

 


O Monza não viaja mais, está devidamente aposentado. O Astra, seu sucessor, também está cedendo vez. Com destino a Coronel João Sá é o Corolla que nos leva em novas, nem tão novas assim, aventuras nas estradas sergipanas e circunvizinhanças do Estado.

Coronel João Sá é um município baiano que faz divisa com Carira. A festa prometia, Unha Pintada, Desejo de Menina (que mudou de nome, mas resisto a mudanças). No carro, eu, Dudu do Monza e Carlos, o enfermeiro pervertido e um litro de Jack Daniels.

As aproximadamente 2h e 30 de viagem passam rápido até chegar ao nosso destino. Paramos o carro em um estacionamento improvisado ( um verdadeiro matagal) e pago. O frio pede logo uma dose de Whisky. E logo é atendido.

Lembro do passado, das garrafas de Slova, do Monza ... as coisas – aparentemente -  parecem estar mudando , em alguns aspectos aparentemente melhorando. Na volta, no povoado Rio das Pedras, próximo à Itabaiana, a barraca de pastel e caldo de cana ainda está lá; na feira. Fazemos nossa habitual parada. Um caldo com pastel de queijo e seguimos de volta a Aracaju. Certas coisas não se mudam. 

 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Macambira


 

Nos livros de botânica a Macambira é planta da família das bromélias, prima distante do abacaxi e brota em áreas de caatinga. Em Sergipe, a palavra nomina uma aprazível cidade localizada no agreste sergipano, na vizinhança de Itabaiana e Campo do Brito, a 74 km da capital do estado.

O nome não é por acaso, a Macambira é vegetação abundante na região. A cidade possui também umas das cachoeiras mais bonitas do estado. Mas o Astra - sucessor do Monza - saiu de Aracaju na noite de mais um sábado a procura de outros atrativos. Na estrada caminhos demasiados conhecidos. A viagem é curta, pouco mais de 1 hora, em pouco tempo nos deparamos com a serra de Itabaiana. Entrada a direita, Campo do Brito e logo mais a frente, Macambira.

A habitual garrafa de Vodca ameniza o frio que a chuva fina trazia, mas São Pedro colaborou e o tempo estiou. A chuva parou, mas a bebida, não.  Fileiras de carros pelas ruas, vans... passos apressados em direção à praça de eventos. Como a flor que desabrocha na madrugada, Macambira sorri em festa.

No palco Alma Gêmea inicia a apresentação adentrando a madrugada. Em seguida Mano Walter, e amanhecendo o dia Cavalo de Pau ainda está tocando quando deixamos a cidade, já por volta das 6h da manhã. Há sempre uma estrada no caminho. 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Palavra

 

Morre em si   

Inaudita

 Inconscientemente

 engana

Grita!

Reclama

Num resistir

 Que não se pode ouvir

 Do que não se sabe

E tudo aquilo que padece

De um existir

Emudece

Transborda

Desordenadamente

Pouco a pouco

  E sobra

 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Estrada Simão Dias

 


 

O tempo espalha folhas mortas pelos campos
Traz ao verde nódoas de marrom
Adentra por janelas entre silêncios e quase sons
Invade e se distancia

O Vento;
Percorrendo amplitudes  
Entre sopros e calmaria  
Por primaveras, entra outonos  
 

A vida, em vicissitudes
Encerra e surge
Por sementes

E pétalas em abandonos  

Que repousam no vazio como se em espera

Dos jardins sem donos 


Onde se encerra o agora

Modificando  cores
Revisitando horas
Transpondo o que não se altera

No desfolhar dos dias
Descolorindo
Repousa e silencia
Morre e nasce findo



 










quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Ponto Final



Que alguém te faça enxergar dentro do teu escuro
e mesmo no abSurDo
Escute
Que não aponte, não te culpe
Traga um novo significado
Ao crime daquele por si próprio condenado
E mostre que libertar é ser libertado
Pois o silêncio é sempre ponto final