
Ficam para trás os mangues e as praias de Aracaju , em poucos minutos não temos mais a brisa litorânea nem o cheiro do mar. No caminho, já foi dito que sempre existem algumas pedras, no nosso uma serra inteira , a de Itabaiana, mas ela não oferece resistência, só beleza. Um pouco mais a frente, repousa em descanso merecido a capital do sertão , mas Glória desta vez é só passagem e não nosso destino final. Após passar por diferentes regiões e formações Geográficas do Estado chegamos a Monte Alegre, que de monte não tem nada , a não ser o nome. Na verdade a cidade fica numa planície campestre.
Em 2011 esta seria a Última festa no interior para nós , não poderia ter feito melhor o destino em nos reservar esta cidade para fecharmos o ano com chave de ouro. Como são bonitas as mulheres de nosso sertão. Me contentaria apenas com um olhar ou sorriso , mas elas nos deram muita mais do que isso, para uns muito mais mesmo, que o diga o velho Monza, que com essa festa eliminou mais uma cidade desconhecida do seu mapa e também ganhou mais algumas manchas em seus bancos.
Para muitos a imagem que se tem do Sertão é a da seca, para nós é o oposto. É a de um oásis. Como camelos sedentos, em fartos goles, saciamos nossa sede e desfrutamos do local para depois partir abastecidos por nossas andanças ora por campos férteis, outras vezes por alguns desertos. Não foi miragem ou vertigem , no máximo pode ter sido o efeito da cachaça, o litro de vodca foi pouco para as duas horas de viagem e o efeito logo passa. Na festa, aos poucos reavendo os sentidos, me deparo rodeado por loiras e morenas estonteantes , me embriago novamente, desta vez de beleza , reparo em seus olhares furtivos , quando apanhados fingindo indiferença , flertes fatais. Para falar a verdade não estava a espera de uma oportunidade , queria todas elas.
A uma delas, no entanto, me rendi. Não tive como não ceder a sua entrega e graça. E no pouco tempo que passamos juntos, tive a sensação que a noite para mim já poderia acabar, a viagem já tinha valido a pena. Como passam rápido as horas quando se está bêbado e contente. Tenho a certeza de que meus amigos que lá estiveram nessa festa compartilham da mesma opinião , todos encontraram o carinho monte alegrenses nesta noite, que pareceu mais curta que muitas outras. Nesse dia bem que o sol poderia esperar um pouquinho mais para nascer, mas pontualmente ele ameaça surgir no céu , aos pouco o vazio e o silêncio começam a tomar conta da praça, é chegada nossa hora de partir. No caminho até o carro, os resquicios da festa. Garrafas e latas de bebida espalhadas pelo chão , bêbados nas calçadas ou tropeçando pelas esquinas na volta para casa , garotas já descalças segurando o sapato que em nome da vaidade as castigaram durante toda a noite , e em meio a tudo isso nós ainda tentando com o mesmo ímpeto inicial fazer mais algumas vítima. Partimos com a certeza que fomos felizes em Monte Alegre.



