Histórias de um bando de malucos que rodam por todo Sergipe e Estados vizinhos atrás de lá se sabe o quê.
domingo, 15 de julho de 2012
Apenas voltando para casa.
Nas ruas encontra pessoas já despertas. Umas se alongando no calçadão , outras fazendo caminhada ou simplesmente indo em direção a padaria em busca do sagrado alimento. Tenta se misturar a elas. No rosto as marcas de mais uma noite insone. O caminhar ainda trôpego , efeito da bebida, denuncia a embriaguez. Ainda assim , altivo, caminha pelas ruas da cidade acreditando ser mais um daqueles que levam uma rotina comum .
A bebida o faz confiante em suas ilusões. Em seu faz de conta, fica orgulhoso de estar de pé áquela hora, afinal diz o ditado que Deus ajuda a quem cedo madruga. Nesse instante é um trabalhador exemplar. Mas lembra que é domingo, dia de descanso. Mesmo assim não desiste de querer fazer boa figura , se alegra ao lembrar que mora próximo a uma igreja, poderão pensar que está com aqueles trajes para ir ao culto, ou que de lá estará voltando.
Já no portão encontra dificuldade para entrar. Como se tentasse colocar linha numa agulha , falha várias vezes nas tentativas de encaixar a chave no buraco da fechadura. Entra. As luzes da casa ainda estão acesas. Está sozinho. Sobe lentamente os degraus da escada apoiando-se no corrimão. Chega até o quarto. A imagem no espelho do banheiro desola. Não há mais escapatória. Olha para o chão e nota o rastro de lama que deixou pelo caminho. Dos sapatos nem é possível saber a cor. Deve ter pisado em alguma poça.
Por um momento esquece as preocupações e morosamente desabotoa a camisa , desdobra a manga, percebe que alguns botões se foram. Serviço de alguma mão mais afoita. Estas são as unicas recordações que terá daquela noite. A bebida não deixa espaço para coisas da metafisíca em sua vida, só resta aquilo que é palpável.
A cama ainda está intacta.O lençol impassível, sem uma única dobra. Enfim o corpo encontra repouso. Músculos retesados se distendem e o sentimento é de bálsamo. Próximo a hora do almoço acorda. O ventilador parou de funcionar. Pelo suor em seu corpo deve ter sido há bastante tempo. O corpo reclama fôlego e ainda queima pelo efeito do álcool , que pouco a pouco é exalado e toma conta do ambiente. Levanta , toma banho, come alguma coisa e saí. No entanto, já sóbrio, em meio a um mundo de gente, enojado de si e dos outros, sente-se ainda mais distante, mas agora não quer se misturar a ninguém, não quer fazer parte nem parecer nada, e assim segue soberbo, porém bem sabe que essa pode ser a maior de suas ilusões.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Muribeca
De vestidinho curto ela vem, faz carinha de sapeca
Dança , se insinua e olha a sorrir
Oh! como és bonita menina de Muribeca
Ao seu rebolar não tem quem não pare a assistir
Por uma noite foi minha , mas sempre chega o dia e com ele a necessidade de partir. Não digo que vou contrariado , já me acostumei , Aracaju sempre espera. Não sei ao certo quando e se volto, talvez numa próxima festa. Sei que não fui o único, e nem serei o último. Não mesmo!!! E não to nem aí pra isso. Naquele instante apenas sua beleza me bastava. Sou como passáro livre, e você também , mas lembre. Nem toda ave sabe voar.
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