quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Direito Penal e Processual 2

Quero lhe ter sem renuncia, perdão, dolo ou culpa. Ver nos teus olhos e sorriso você menina, mas nos meus braços te quero adulta. E viver um sentimento imprescritível, e tomar por meu o seu coração, ainda que assim, de fininho, como que por usucapião.

E mesmo que por isso me acusem sem Fato Típico, não ligo, porque típico já é ter você ao meu  lado. Se quiserem  que me façam réu, mas não por tentativa, só por crime consumado. Não material ou formal, e sim um delito continuado.

No entanto, que seja perempta toda ação que me afaste de ti e que decaia ao teu lado todo meu direito de queixa. E se meu silêncio importar em aceitação de tuas acusações, serei eu o condenado por teus lábios a encontrar absolvição nos teus beijos, ainda que em face do transito em julgado.

domingo, 9 de junho de 2013

Capela



Já passava das 22h quando deixamos a cidade. Apenas 45 minutos separam Aracaju de Capela. É estranho medir distâncias através de medidas de tempo, afinal elas estão susceptíveis a tantas variáveis,   mas no final das contas é sempre ele que importa: O tempo. ( Deu preguiça procurar no Google quantos quilômetros separam as duas cidades).

 Deixamos os festejos juninos da Barra dos Coqueiros e o samba do Carioca  de  lado. Não é nem preciso explicar o motivos, Capela é Capela... mas chegando lá , de inicio não parecia muito não. A praça de eventos não estava lotado e no palco um locutor anunciava um concurso de beleza para escolher a rainha dos festejos da cidade. Só lembro que a quinta colocada ganhou um celular. Ah! Se a encontrasse com certeza eu iria pedir o número.

Não demorou para tudo voltar o normal. Foi a primeira banda começar a tocar  e o povo começou a chegar.  A festa estava completa. Cenário montado era hora de atacar. Primeiro fazemos o reconhecimento do território, analisamos possíveis alvos, e de repente , quase sempre o inesperado se apresenta através de olhares acabando com qualquer outra prospecção. Assim, imperceptivelmente, as horas se exaurem.

Às 5h  e pouca da manhã me dirijo ao carro, que está estacionada numa praça. Espero o retorno do pessoal. Vamos até uma padaria, comemos um pão com mortadela e Coca-Cola para depois embarcar no Punto de volta à Aracaju. Sei que o tempo um dia irá trazer saudades!

domingo, 26 de maio de 2013

O fim sempre é um começo



As vezes ,enfim, o fim acontece. E nem sempre, então, é um querer ou sabe-se o momento que o precede. E assim,  pouco a pouco não é mais soma, e sim distância ...  Que  já não mais significa algo a ser vencido. E aqueles "breves encontros seguidos de eternas despedidas" já não são tão mais efêmeros assim, quando nos deparamos com um verdadeiro adeus, que não é nem um pouco leniente com plurais.

 Em algumas ruas do centro de Aracaju(  Rua Maruim, Porto da Folha, Propriá, Pacatuba, Riachuelo, Simão Dias, etc.) um carro passa saudoso por lembranças que estes nomes trazem.  Seu velho e valente motor, agora, ronca mitigado por vias estreitas, não é desafiado por ultrapassagens perigosas, curvas sinuosas ou longas distâncias. 

 Longe de seus pneus finda-se a estrada sob as luzes da escuridão de mais uma noite. Nas margens da pista, placas  esperam um feixe de luz para indicar algum destino já demasiado conhecido. Ou meramente uma mensagem de " volte sempre". Mas "sempre" é palavra tão inexorável perto de formas que já começam a perecer.

Em algum lugar o palco está montando, tudo se transforma, imóveis os cenários se repetem, mas os velhos faróis já não iluminam caminhos antes percorridos, e se um dia esse roteiro de histórias e aventuras parecia infinito, agora todas  ilusões parecem destroçadas pelo tempo a mostrar que reticências nada mais são do que três pontos finais... 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Japonês, Pede pra sairrrrr. ( é mais barato)





Após meses longe das estradas sergipanas, enfim, novamente voltamos ao interior com direção ao Sertão. Parada no posto e na loja de conveniências: Primeiro para abastecer o carro de gasolina e  depois a gente de álcool . Os olhos visitavam garrafas de Uísque nas prateleiras, Vodkas importadas, mas ao final levamos ao caixa, para variar, uma “boa” e velha Vodka Slova no valor de sete reais e duas caixas de suco de laranja para abrandar o sabor e efeito do álcool.

Desafiando a Lei Seca, a seca e Morfeu saímos do posto e pegamos nosso rumo mais uma vez no Monza, que mesmo estando mais rodado do que o pião da casa própria, ainda é um carro confiável  e oferece algum conforto, particularmente desta vez estava bem aprazivel no banco de trás onde eu ia sozinho, já que  apenas os três últimos moicanose resistiram e continuam a navegar nesta nave da vadiagem. 

Há quem pense que os caminhões e perigos da estrada são os maiores desafios para nós, viajantes da noite.Mas não, não são... existem outros obstáculos que são tão ou mais  cruéis e devastadores, que o diga nosso amigo Batatinha, que sucumbiu ao pior deles. Ah!!! o amor. 

Placas e mais placas pelo caminho. “Seja bem vindo”- seguido logo de um “Volte sempre”.  Na beira da pista alguns animais, almas vagantes aqui e acolá na penumbra e quebra molas próximos a entrada de alguma cidade. Já estava com saudades deste cenário.

Itabaiana, Ribeiropólis, Aparecida e finalmente Glória. Deixamos o carro em sua parada habitual. Em frente à OSAF. Mas desta vez, era a cidade toda que estava em clima de velório. Pouca gente pelas ruas, pior ainda, não se via o vai e vem costumeiro dos carros e vans em direção a festa. Decidimos esperar um pouco e enquanto isso acabávamos com a bebida que ainda restava.

Como nada mudou, nem parecia que ia mudar e como quem ta na chuva é pra se molhar, decidimos comprar o ingresso e entrar na festa. O vazio preenchia todo o ambiente. Pela nossa experiência sabíamos que ia melhorar, mas não seria muita coisa não.  E não foi. Pouca gente, pouca mulher e muito gasto... em resumo, uma bela de uma cagada. Duas da manhã, no zero a zero ainda quando uma gatinha de Monte Alegre salva a minha noite.

Meu amigo Dudu, diferente de mim, não demorou. Mal chegou à festa e levou olhares fatais de uma cadeirante perneta. Tudo começava estranhamente normal para ele, que de inicio se animou, chamou algumas garotas para dançar, tomou alguns pés na bunda, mas logo se arranjou. Já o japonês partiu a ziguezaguear bebadamente pela praça de eventos. Cutucando sem dó nem piedade as garotas da festa.
 De repente sumiu. Como um samurai quando utiliza suas bombas de fumaça, tipo naqueles filmes do Bruce Lee. Da mesma forma reapareceu  lá pras 4 da manhã. Tinha sido raptado por uma capivara e saiu em prevaricação discarada pelas ruas de Glória. 

 Em sua volta,  ele decidiu mostrar que não sabe brincar de se ferrar e resolveu acabar com brincadeira de todo mundo. Viu que estavam  todos a reclamar de ter pago um ingresso tão caro pra entrar numa festa tão ruim e além de ter pago pra entrar resolveu pagar pra sair.  O segurança ainda tentou alertar: - Mas senhor, seu ingresso já foi pago. De nada adiantou a ressalva.

   O japonês argumentou na sua altivez alcoolica: - Eu não to querendo pagar pra entrar não. Essa festa ta tão ruim que eu quero entrar e pagar para sair. Assim , o jovem sergiponico o fez. Entrou, pagou outro   ingresso, nos encontrou e fomos embora. De inicio não acreditei , já tinha visto de tudo nessa vida de festa, mas logo vi que é vivendo que a gente... se fode.




quinta-feira, 7 de março de 2013

Sobre o Mamulengo de Cheiroso





 No dançar das mãos dos integrantes do grupo os bonecos ganham vida e ensaiam os passos do forró , o mais autêntico ritmo nordestino. E nesta dança criador se faz criatura , nos bonecos a beleza e a feiura imprimem como uma pintura  a cara de nossa gente .  No pequeno palco os bonecos também contam  dramas, estórias da vida e do imaginário popular. Causos de bravuras  de um povo valente,  que engana a amargura  , inventor da rapadura e que sorri mesmo sem dentes.  Estórias de lampião, rei do cangaço,  justiça feita com sangue  num tempo em que a honra residia  no cabaço. Terra sem lei, onde o veredito era a ponta do mais afiado aço. Causos de amores impossíveis, donzelas raptadas, paixão, traição e maridos da cabeça enfeitada. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Andando pela rota do Sertão



A vida, calcinada, desvanece a cada dia nesta terra despida e rasgada...  O horizonte, quase sempre esperança, se perde na poeira suspensa pelo vento que assim parece se vingar por não encontrar relva a se curvar com o seu passar.  E mesmo nos tempos mais difíceis, como agora, quando pouco resta, até que se finde o último homem este lugar estará repleto de existência. Porque ,aqui, ser é mais do que existir ou sobreviver.  É nesta terra viver. E nunca é pouco, ínfimo...  pois  ser é sempre "Sertão".