Era uma vez o agora... Findou neste mesmo e inexato instante. Lá se vai ele sem demora... nos passos de um futuro ausente logo adiante. No entanto, difícil mesmo não é prever o porvir, mas saber o que precede o antes.
Queria entender esse seu amor por ser amada, se entre tantos quantos, tanto faz,então me fala como é beijar sem sentir nada. Você que tem medo de amar verdadeiramente , de um amor incondicional que fuja ao seu querer , será medo de sofrer ? Será esta tua armadura não de batalha, mas sim de um medo covarde ? Pois saiba, minha cara, que a desventura chega cedo ou tarde, mas que se chegar que tenha valido a pena, que tenha sido por algo de verdade, porque o tempo sempre apaga tudo que é inconsistente, as vezes até mesmo o que se sente, ou que um dia foi e fez sentido.
Não se engane nesta compaixão por um sentimento de alguém, não se torne refém desta falsa paixão tão 'bem' cultivada. Não... nunca se entregue ao nada.
Histórias de um bando de malucos que rodam por todo Sergipe e Estados vizinhos atrás de lá se sabe o quê.
sábado, 26 de julho de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
O vendedor de sonhos
Já próximo do final de um longa reta na Avenida Rio de Janeiro vejo que o sinal ficou amarelo, acelero numa tentativa inútil de chegar até a Avenida Desembargador Maynard, mas o semáforo fica vermelho e sou obrigado a parar. De repente vejo saltar um homem dos trilhos da linha do trem segurando alguns brinquedos que chamam minha atenção pelo inusitado em que se transformaram nos dia de hoje, tempos em que reinam Playstations , tablets e afins. Ele trazia nas mãos singelos cavalinhos feitos de madeira.
Da janela do carro inicio um breve diálogo com ele. Seu nome é José Carlos, não perguntei sua idade, mas aparenta ter por volta dos cinquenta anos. Pergunto quem confecciona os brinquedos. Ele me responde que é a esposa dele. Apesar dos itens empregados na produção serem bastante simples o trabalho requer uma certa habilidade. Um cabo de vassoura faz as vezes de corpo do cavalo e um pedaço de pano com enchimento e alguns botões costurados dão forma as feições, mesmo que um tanto disformes, do animal.
José Carlos fica incumbido das vendas. Ele aproveita as manhãs de Domingo para efetua-las pelas ruas e avenidas de Aracaju.Segundo ele neste dia as pessoas estão com a família e tem mais tempo disponível.
Por um instante fico a imaginar a reação dessas crianças acostumadas a um universo de fantasias já pronto, formatado por videogames, brinquedos eletrônicos e galinhas pintadinhas da vida... em como elas receberiam o rustico cavalinho de madeira. Será que perguntariam onde é que liga e diante da negativa do pai acerca do botão de ligar deixariam o brinquedo relegado a um canto qualquer.
Prefiro acreditar que não. Então vejo crianças a galopar, mas lembro que não se brinca mais nas ruas, e lembro também do tamanhos dos apartamentos , então vejo nos primeiros passos uma criança a dar de cara com uma parede de um cubículo como aqueles que estão sendo construídos na Jabotiana.
Fecho os olhos e tento voltar à minha infância já um pouco distante, recriar um tempo em que ainda se tinha espaço para sonhar. E naquele instante no meu mundo aquele cavalinho já não era de madeira, mas sim um Corcel negro e eu cavalgava por planícies e desertos de reinos muito distantes, sendo heróis em alguns dias, em outros , bandido. Em certas noites cruzaria o Arizona e o Texas metido em bangues bangues que deixaria o Ringo Kid de Jhon Wayne de cabelo em pé.
E toda partida seria saudades, donzelas a se lamentar, no entanto, toda chegada seria abraço da mais bela dama. E meu cavalo teria o nome de 'Ventania' ou outro similar que lembrasse liberdade, porque sonhar é se libertar.
De repente volto ao mundo real ao som de insistentes buzinas. O sinal tinha ficado verde. Um cidadão acelera seu carro, cola do meu lado e faz um gesto nada cordial. Ainda pergunto a José quantos cavalinhos ele vendeu naquela manhã. Ele me responde que não tinha vendido nenhum ainda. Engato a primeira e viro a esquerda. Não é mais tempo de sonhar.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Aracaju
A minha terra tem um oceano de belezas e mistérios guardados por mares de águas morenas. Exibe ares femininos, mas não de fêmea qualquer: de mulher nordestina. Pequena gigante, intensa e serena. Em sua tez possui o dourado do sol nascente, interrompido apenas pelas orlas das noites, renascido nos pores do sol. Aracaju, filha da colina, ainda menina ao se espraiar pelas planícies na inocência e frieza de tabuleiros de Pirro.
Nas tuas veias corre o marrom do sangue de tuas entranhas: de lama, caranguejos e mangues. Entre praças, avenidas e ruas, em cada canto de ti, encontra-se um pouco de nós. E longe de ti, já não sei ser... Aracaju.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Pré-Caju, umas festa de todos e de tolos
Hoje a festa é do branco, do preto, do rico e do pobre... é de toda a população. Todos "juntos" na avenida separados "somente" por um cordão. " O Pré-Caju gera emprego, atrai turistas, garante uma renda extra e quem crítica nunca tem razão". Mas enquanto os Zés das Barracas ganham uns trocados um só ganha mais de milhão.
E os ciclistas, pedestres e toda população que por semanas tem cerceado seu direito de ir e Vir? " Deixa de ser chato, esquece essa constituição, o povo quer saber mesmo é do direito de rir e se divertir". Então vamos todos em uníssono entoar músicas de Claudia Leite, Harmonia do Samba e do Bailão do Robsão. Segurar com orgulho e desfilar nossos abadás pela avenida, olha só como é perfeita minha vida, como sou 'feliz' rebolando a bundinha até o chão.
Mas e quem mora na 13 e imediações e quer somente dormir e com tanto barulho não consegue ? Ué, chama a policia, som alto não é contravenção ? Mas eles estão lá fazendo a segurança e insegurança do folião.
"Ahh! Esquece essa conversa de violência, isso tudo é invenção. Até parece que vocês não sabem que o cassetete come é lá do outro lado do cordão".
Como diz a cantora: "Eu quero mais é beijar na boca e ser feliz". Mas no outro dia quando acordo logo ligo para um amigo mais sóbrio e pergunto: Fulano(a), Você lembra de ontem, o que realmente eu fiz ?
domingo, 19 de janeiro de 2014
Macambira
Na noite deste 18 de janeiro, por coincidência do destino, a estreia do Sergipe na Copa do Nordeste foi contra seu maior rival, o Confiança. O jogo foi realizado na cidade de Itabaiana. Coincidência também o fato de que nesta mesma data teve festa em Macambira, cidade vizinha à terra da cebola. Então era saindo do jogo e se mandando para festa.
O clima antes do inicio da partida era um pouco intimidador, os marginais da trovão Azul tocaram o terror na entrada do Estádio, mas o forte policiamento não demorou a reprimi-los e para aumentar o desgosto deles,voltaram para casa com uma derrota retumbante. O Gipão meteu dois gol e selou uma ótima vitória sobre a equipe azulina com um placar de 2x1. A noite já tinha começado bem. Agora era pegar a estrada e aproveitar o resto da madrugada. Antes uma parada numa lanchonete, um X-burguer, e partimos para festa. No carro apenas Dudu, eu, Gabriel e Alisson.
Em Macambira o clima era de muita animação. As ruas estavam tomadas, e para minha surpresa Macambira parecia muito mais bonita em relação a ultima vez que tinha estado lá. Vai ver foi porque desta vez eu estava de cara limpa, sem beber nada. Nesta noite não embarquei na viagem etílica de meus amigos e confesso que a bebida não me fez muita falta. As garotas também não deixavam a desejar.
Alguns olhares aqui, outros acolá, um pouco de receio, outras vezes um pouco de coragem logo seguida de alguns foras aqui , outros acolá, quem vai entender as mulheres... Pela manhã, orgulhoso de minha sobriedade, sou convocado a dirigir o Monza velho de guerra na volta para casa. Estrada tranquila no amanhecer, longas retas no agreste e já chegando em Aracaju, algumas curvas bastante sinuosas, o motor responde bem quando a pista oferece um vasto horizonte pela frente, no entanto, reclama muito com as lombadas, radares e curvas de baixa velocidade.
Um pouco antes das sete da manhã chegamos à Aracaju. Cansados, é verdade, mas prontos e dispostos para outra.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Felicidade comprada
Vamos brindar esta sua bebida importada, tua pele clara, e toda essa alegria que é comprada. O teu nojo àquilo que não se parece com você, os restaurantes caros, carros do ano, a mentira na sua cara maquiada.
A sua indiferença a quem te serve, porque para você quem não tem dinheiro não serve para nada. O regozijo com a esmola ofertada, esta compaixão comprada com moedas porcas e tão parcas.
Vamos engolir toda esta desfaçatez de vez em quando e de quando em vez, o medo em ruas de tez negra, de rostos pardos, todo preconceito que é negado e velado.
E protestar da boca pra fora contra a situação do país, criticar os políticos corruptos, as desigualdades e injustiças, mas a verdade é que neste país de terceiro mundo em primeiro estão vocês.
Então é mais um final de semana no shopping. E lá se indignam verdadeiramente com a fila do cinema, com o preço da pipoca, do estacionamento, com as lojas que trazem coleções passadas, porque qualquer merda é absurdo contra aqueles a quem o mundo sempre diz SIM.
A sua indiferença a quem te serve, porque para você quem não tem dinheiro não serve para nada. O regozijo com a esmola ofertada, esta compaixão comprada com moedas porcas e tão parcas.
Vamos engolir toda esta desfaçatez de vez em quando e de quando em vez, o medo em ruas de tez negra, de rostos pardos, todo preconceito que é negado e velado.
E protestar da boca pra fora contra a situação do país, criticar os políticos corruptos, as desigualdades e injustiças, mas a verdade é que neste país de terceiro mundo em primeiro estão vocês.
Então é mais um final de semana no shopping. E lá se indignam verdadeiramente com a fila do cinema, com o preço da pipoca, do estacionamento, com as lojas que trazem coleções passadas, porque qualquer merda é absurdo contra aqueles a quem o mundo sempre diz SIM.
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