sábado, 28 de janeiro de 2012

Mais que uma prosopopéia

Finda-se a escuridão sob as luzes dos velhos faroís. Por um breve momento , ao passar de um Monza, também é rompido o silêncio nas estradas sergipanas. Exortado pela volúpia , não teme distância muito menos a lassidão do passar das horas. As desafia com a potência do seu motor , com muitos cavalos e alguns jegues. Nos leva em busca de breves encontros , seguidos de eternas despedidas . Como carros que se cruzam na estrada e seguem em direções opostas. Rostos e nomes que se dissipam em nossas mentes, assim como a poeira dos lugares por onde passa, em seus pneus. A Sapiência o afasta do malogro , não restam motivos para freadas, para deixar marcas no asfalto. Não é flex , aceita só gasolina, mas que grandes mentirosos seriámos se negássemos que o alcóol também o impulsiona. De preferência uma grande garrafa de cachaça. Nos bancos estão as marcas do prazer que se misturam com as de bebidas . Nessa intersecção reside grande parte da sua essência. Que me desculpem os seres inanimados , despertados apenas por prosopopéias. Sob o capô deste carro além de válvulas , cilindros e pistões bate forte um coração.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pão de Açucar

Muitas vezes fomos a cidades ribeirinhas. Propriá , Neopolis , Brejo Grande, Ilha das Flores, entre outras. Nas margens do São Francisco sempre obeservando do outro lado do rio , aquela profusão de luzes delimitando os limites das cidades Alagoanas, imaginando o que o destino lá nos reservaria. Uma vez até tentamos atravessar em direção a Penedo , mas não deu muito certo, perdemos a última balsa. Mas em Pão de Açucar correu tudo bem , e sobre uma pequena e velha balsa, lá fomos atravessar o velho Chico , torcendo para que não afundássemos no meio do caminho. Em solo alagoano encontramos uma cidade muito bonita e organizada. Praças arborizadas e bem iluminadas. Uma orlinha na Beira do rio, com bares e restaurantes e para variar , um parquinho de diversões com barracas de tiro ao alvo , pula pula , carrossel e outros brinquedos comuns a todos parques. Mas buscávamos outro tipo de diversão . Fomos procurar na praça de eventos. No caminho a pouca quantidade de mulheres indo em direção a festa nos entristecia a cada passo. No palco a primeira atração foi um padre cantor. Na plateia pouca gente ocupando o pequeno espaço. Esperamos um pouco outra atração mais profana. Entrou logo um DJ meio maluco, no telão aparecia a imagem do Capeta dançando uma música eletrônica.A festa parecia que ia do 8 ao 80. Mas a imagem do capeta, acabou anunciando outra coisa. O inferno que aquele lugar se transformaria. Lugar pequeno e o povo chegando, no final mal dava para se mexer. E não podemos dizer que a beleza é um atributo marcante nas mulheres de lá. Pela primeira vez desertei , fui ao monza dormir. No caminho nem olhares maliciosos me desviaram da minha decisão. Dentro do carro deitado no banco adormeço. Acordo de manhã com batidas na lataria do monza, eram garis varrendo a rua e que as vezes esbarravam no carro que é velhinho mas ainda não ta um lixo para ser varrido. O dia revela uma cidade ainda mais bonita. Um lugar encantador. Fomos até o cristo, porque, sim, lá também tem um Cristo Redentor. Apesar de ser uma réplica, não deixa de ser único . A estátua lá de braços abertos abraçando o São Francisco e todo Sertão Sergipano. Sob seus pés , mandacarus, pequenas casinhas e um cemitério. Retornamos para pegar a Balsa em direção a Sergipe . As águas do rio agora são verde , na madrugada se confundiam com a escuridão da noite. Com tanta beleza chego a uma constatação. A festa não foi ruim, é que tudo fica ofuscado pela beleza de Pão de Açúcar, o criador caprichou. Não perdi nada passando a noite dormindo no carro, o espetáculo de verdade só podia ser visto pelo dia.