domingo, 20 de novembro de 2011

Os Barões de Maruim



Tem um ditado que diz que às vezes o que procuramos está mais perto do que a gente imagina. Foi assim nesse sábado em que fomos a Maruim, cidade vizinha a Aracaju. As opções eram poucas, mas tentadoras. Show no Gonzagão ,podia ser uma boa, afinal não precisaríamos pegar estrada e ainda as garotas seriam daqui mesmo, o que facilita revê-las. Mas para quem está acostumado com a estrada, parece ficar faltando alguma coisa quando não a desafiamos. Tinha também festa em Ribeiropólis, apesar da ultima experiência não ter sido das melhores, a beleza das mulheres de lá é algo tentador. Parte do pessoal sucumbiu a tentação e foi para lá, quase não resistimos também, mas analisando friamente bem os prós e contras não era hora ainda de regressar a Ribeiropólis.
De todas as alternativas, escolhemos a que parecia mais improvável. Mas para nós, já experientes em festas, sabíamos que poderia dar certo, afinal invariavelmente as melhores coisas acontecem quando a gente menos espera. E assim saímos despretensiosamente para Maruim, uma viagem incomum, pouca gente no carro, e ao invés de vodcas , Pitu ou algum outro tipo de cachaça, levamos dois litros de vinho e um licor de Umbucajá. As bebidas foram o prenuncio de uma noite realmente doce.
Num primeiro olhar, fica difícil achar beleza arquitetônica na cidade, mas aos poucos é possível perceber que aqueles prédios com traços antigos e paredes escuras carregam consigo grande riqueza histórica. Sob os paralelepípedos das ruas, em alguns trechos ainda estão as pedras coloniais dos tempos da escravatura, que insistem em surgir com o passar dos anos. No povo, os traços mestiços, não escondem a heterogeneidade de raças que ali colonizaram a cidade .
Numa rua dessas, misto de paralelepípedos e pedras coloniais, estacionamos o carro em frente a uma casa onde eram vendidas antigas lavanderias de concreto.Parecia uma viagem no tempo, onde o não tão antigo, mas já velhinho Monza também compunha esse cenário. Embriagados, assistíamos o ir e vir das mulheres em direção a festa enquanto acabávamos a ultima garrafa de bebida.
Em Maruim a festa tem uma característica particular. O palco fica na descida de uma ladeira, mas pensando positivo, para baixo todo Santo ajuda. E assim fomos em nossa habitual ronda, selecionando nossos alvos, como em nosso grupo tem atirador rápido não demorou muito para abaterem algumas presas.
Nosso amigo Gabriel foi o primeiro. Dudu logo começou a chamar as garotas para dançar. Como não sei dançar, aprimorei outros pontos que acabam compensando essa minha falta de habilidade. Os principais são a paciência e a atenção. Em umas das minhas escaladas pela ladeira, vejo um olhar furtivo,desaparecer em meio a tantos rostos. Mas aquele chamou minha atenção , a sua dona era de uma beleza encantadora. Cabelos negros e lisos , descendo pelos ombros , vez o outro cobrindo seu rosto ao capricho do vento ,contrastando com a pele alva. No rosto um sorriso ao mesmo tempo tímido e convidativo. Tentando articular palavras em meio a embriaguez não sabia nem o que falar quando fui até ela , conduzido como que por hipnose , ela achou graça do meu jeito sem jeito e no primeiro momento foi só isso.
Depois saiu perto de mim, mas com um sinal pediu para esperar. E na minha tola certeza, ela não ia voltar. Mas da mesma forma como resolvemos contrariar quase tudo neste final de semana, resolvi esperar. E mais uma vez valeu a pena. Com um olhar perdido ela volta, como a procurar algo, não tive dúvidas e a ajudei a achar, desta vez acabou em meus braços, para mim a festa já podia acabar.
Já com o dia amanhecendo encontro Gabriel do jeito que ele mais gosta. Bebendo cerveja e agarrado com uma gostosa. Agora só faltava achar Dudu. Quando chego no carro , o vejo cercado por um monte de mulher e para completar, a dele era galega de olho verde oriunda de sua terra preferida, a bonita Canindé. Nesse dia até chegamos cedo em casa, antes das seis, o que é bastante incomum. Bons ventos esses que nos levaram até Maruim.

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