segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma Cidade Frígida



Era a primeira vez que íamos até Carira. No carro, além de bebidas , levávamos muitas expectativas, afinal todo mundo falava bem do lugar. A cidade não chama muito a atenção. É uma típica cidadezinha do interior sergipano, ruas estreitas com casas coloridas, sem muros, coladas parede com parede, se estendendo assim até as esquinas.
No meio da cidade, uma pracinha com bancos de concreto e algumas arvores.Parece que contrataram o mesmo urbanista para quase todos municípios de Sergipe. As bebidas terminaram mesmo antes de chegarmos até Carira. Restavam ainda as expectativas, que não demoraram muito a se esgotarem.
Ruas vazias e um silêncio preocupante. A única coisa que denunciava que teria festa, era que vez ou outra encontrávamos algumas pessoas mais bem vestidas. É verdade que chegamos cedo, por volta das 22 horas , mas não era comum aquela calmaria toda. Na praça de eventos encontramos a desilusão.
Alguns grupinhos de pessoas aqui, outros acolá, se espalhavam pelo local, que tinha um formato meio incomum. Uma escadaria leva até a parte de baixo ,onde fica o palco e a maior parte da praça de eventos. Na parte de cima, ficavam as barracas de bebidas e trecho estreitos da praça, margeando o palco. Para completar, ainda colocaram alguns corrimões, onde as pessoas ficavam encostadas e inertes observando o vazio abaixo.
Com o passar das horas, a situação foi melhorando um pouco, foi chegando a mulherada, são até bonitas. Mas nada de encher os olhos e nem a festa. A frieza do lugar se traduz também nas mulheres, ou vice-versa , isso deve ser algo indissociável . Olhares sequiosos, prenunciando a recusa. Vai entender... Beijos quando dados, sem ardor , sem desejo. Quando a festa acabou, a única coisa que mudou foi que a banda parou de tocar. O clima continuo o mesmo, ou seja , total apatia. Nesse dia experimentamos um sentimento novo com o final de uma festa : O de alivio. Finalmente voltaríamos para casa.

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